domingo, 18 de julho de 2010
Eu sou o herói da história; não preciso ser salvo.
Já que me apresento como superior, poderia fingir que nunca vi o absoluto e que nunca entendi minhas atitudes, defendendo, assim como Adão, que meus pecados originais caíram sobre mim através da desobediência do outro: não sabia o que estava fazendo, só confiei no outro. E eis que vejo o pecado! Não por culpa minha, repito: confiei no outro.
Já que me apresento como superior, poderia não só me comparar a Adão, mas também a Jesus ou a qualquer outro herói popular com toda sua coragem para pensar que não preciso ser salvo, posto que acredito na infalibilidade de meus atos já que não me abalo com as tentações e males do mundo dos normais – ao qual não pertenço sendo superior.
No entanto, não me sinto superior. Se eu fosse um herói, seria aquele que traz a bagunça de todos e não a resolução do problema de cada um – diferente de Jesus e talvez semelhante a Sócrates, mas não sei se morreria pela vida justa. Se me mostro superior é porque não passo de uma boca difusa que esparrama palavras em abundância. Se pouco me explico é por achar desnecessário. Tento ser tão transparente a ponto de explicar mudamente minha intenções - mesmo calando minha essência, mas é impressionante ver que ninguém tem o todo. Prefiro então me calar, mesmo que me custe carregar a imagem de superior.
domingo, 27 de junho de 2010
Vinte e Novo.
Para não me prolongar e fazer dessa mais uma descrição de cento e poucas linhas, venho publicamente pedir desculpas. Sim, desculpas. Peço desculpas a todas as pessoas que não amei como devia, a algumas que devia ter amado mais, às que devia ter amado menos e a muitas a quem eu deveria ter contado sobre o amor que tive por elas nas oportunidades que tive, havendo reciprocidade ou não.
Peço desculpas também às pessoas que magoei pouco, às que magoei muito, às que eu deveria ter magoado e não o fiz e àquelas que não se magoaram por não saber o quanto eu as usei - sem dó.
Ao iniciar mais uma década – ainda de vida – pretendo ser menos auto-suficiente, me tornar menos escravo de minhas próprias forças, temer menos minhas próprias emoções e, agora sem pensar uma vez sequer, falar sobre o que meu corpo quiser. Ultimamente tenho deixado mais pessoas se aproximarem e ainda as tenho deixado criar links entre elas. O mais legal é que tenho aprendido com todas: as que surtam no curto tempo que passam comigo, as que se moldam a mim, as que passam a me odiar quando me conhecem de verdade e, principalmente, com aquelas que se expiram e fazem de mim um melhor entendedor do ser humano. Obrigado e me desculpem.
“We're so helpless… We're slaves to our own forces and afraid of our emotions…”
Leslie Feist
sábado, 3 de abril de 2010
A inútil necessidade da descrição.
Dos dez milhões de apertos que determinaram a vida útil de meu último teclado, acredito que 30% tenha sido gasto digitando pensamentos, vezes ignorados e vezes lidos. Quando lidos, vezes compreendidos e vezes destratados.
Então, relutante, me pergunto: pra quê descrever-me quando a única coisa que importa a quem visita é um álbum com uma dúzia de fotos mexidas no Photoshop que me faça parecer bonito? Então achei a resposta. Se um perfil é aprovado no primeiro exame, o photoshopal, provavelmente este será o segundo exame, o teste de capacidade cognitiva sobre desenvolvimento de diálogos.
Primeiro, o (a) visitante precisa ver fotos interessantes (imprescindível), fotos que mostrem um ser de músculos branquiais e pectoralis major bastante avantajados (vulgo bombado quando homem) ou um ser basicamente composto de tecido conectivo, adiposo e glândulas mamárias (vulgo peituda quando mulher).
Físico aprovado, começa-se a busca por uma descrição também interessante, para depois procurar em algum canto do perfil um endereço de e-mail com a intenção de “add no msn”. Claro que comumente haver-se-ão suas exceções, mas em suma essa é a regra.
Dados os dados, eu me pergunto: Cadê a amizade? Cadê o interesse puro? Ambos perdidos no século que nasci e que não volta mais? (essa foi pra rir e descontrair)
Os indivíduos à direita de sua tela, apresentados no campo amigos dele, que costumam ler meus textos sabem que costumo escrever o que muitos consideram verdades em minhas descrições, tais como as supracitadas, usando acontecimentos em comum a todos e ao final, nada concluo. Conclusões (quando não pessoais) limitam hipóteses, extremamente necessárias para a fertilidade no desenvolvimento de idéias. Aquele que se limita não se desenvolve. Portanto, toda e qualquer idéia aqui deve ser mantida como hipótese.
Eu poderia seguir a idéia acima e desenvolver todo um pensamento, mas preciso terminar meu raciocínio quando da necessidade inútil de uma descrição.
Como estava dizendo, atributos físicos e idéias interessantes criam o interesse da maioria sobre outrem. No entanto, o que acontece com as exceções? Afinal, o que faz um ser humano interessar-se por uma descrição tão longa que nada diz sobre o perfil da pessoa em questão, neste caso, eu? Sim meu bom e caro leitor, você provavelmente é uma exceção. Eu provavelmente não passei no seu teste photoshopal... não sou bombado, nem peituda e mesmo assim você prosseguiu a leitura nesse texto tanto quanto longo.
Isso me faz levantar a hipótese de que essas exceções são chegadas em nada mais, nada menos que idéias. Sim, idéias. Eu sei que não tenho uma descrição formal, uma auto visão. Senão eu preencheria este campo com: “Eu sou um cara...”, copiaria um texto do Mr. Chaplin, poria um trecho de música preferido e depois meu msn... Mas não sinto que isso seja pra mim. Essa é a principal razão de gastar três décimos da vida útil de meu teclado descrevendo minhas idéias. Minhas idéias me formam e não uma auto descrição barata. As pessoas, em si, mudam. As idéias, em si, possuem a mesma essência. Uma possível hipótese, provavelmente?
domingo, 26 de abril de 2009
Por que não se reinstalar?
Os que me conhecem sabem que “surtei” na mesma hora. Karl sem computador é igual a um avião sem asa...
Comecei a pensar nos possíveis problemas e nas principais soluções para reviver minha máquina, mas nada adiantou.
Quando tentei reparar o sistema ele simplesmente reinstalou tudo sozinho e apagou todos os meus arquivos. Se o lado Manu tivesse aflorado, estaria chorando de ódio até agora (huahsuahsuas).
Todas as minhas fotos e registros de todas as minhas viagens dos meus 14 anos pra cá (por volta de 20.000 fotos), todas as minhas músicas (9GB de música, algumas que comprei), documentos, textos, cartas de amigos, tudo apagado. Inclusive um livro que escrevia há dois anos; apagado. Dum nada.
É muito estranho perder o registro do seu passado.
E não é materialismo; não mesmo. Perdi fotos e textos do tempo de escola, de momentos que sei que não terei de novo. Registros de risadas, de bobeiras, momentos marcantes, amigos que já se foram; tudo.
Ou seja, realmente perdi o registro do meu passado. Enquanto não sofrer de Alzeimer, só me restará a memória orgânica.
Mas depois de descontar toda a raiva nos seres alheios, comecei a pensar que talvez não tenha sido tão ruim. Perdi os registros dos melhores momentos da minha vida, mas os “registros ruins” foram embora também. O que eu interpreto por registro ruim? Bem, sabe aquelas fotos/músicas daqueles momentos que te fizeram bastante feliz com aquela pessoa (ou não necessariamente) que hoje só te faz mal? Pois é.
Não que eu seja masoquista ou extremamente sentimentalista para guardar esse tipo de coisa. Não mesmo... Eu só acredito que tudo na vida tem como base o equilíbrio. É preciso uma fossa de vez
Ao invés de sentir-me como
Dividindo a lição que aprendi, sugiro a você que apague de vez em quando aquilo que não mais te merece. Melhor ainda, não apague pois poderá sentir falta; simplesmente reinstale!
;)
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Aprendendo a errar certo.
Confuso? Sim, mas nada incomum.
Papeando com uma amiga acabei parando pra pensar no quanto aprendi com meus erros certos. O pior é que não foram poucos nesses míseros dezoito anos de vida. Mas como tudo na vida é mais fácil compreender com exemplos, aqui vou eu...
Lembra-se de quando você era criança e vivia fazendo arte? Garanto que muitas vezes te disseram pra não enfiar o dedo na tomada (aos pervertidos, falo no sentido literal), mas mesmo assim você foi com aquele dedinho gordo e enrugado na tomada e levou aquele choque! Se você não for masoquista, tenho certeza que não se atreveu a repetir o ato!
Dando um exemplo mais profundo... Lembra-se quando aquele(a) teu(tua) amigo(a) disse que fulana(o) não prestava? Mesmo assim você achou que devia, se jogou de cabeça e quebrou a cara? Pois é! Se você aprendeu alguma coisa, esse foi um erro certo!
Uma frase que rege minha vida é “après moi, le déluge”, Dostoievski (Karamazov)/by Louis XV. Não entendeu? Tudo bem... Dei uma de beócio e explico (hohoho).
“Depois de mim, o dilúvio” defino como sofrer as conseqüências depois de fazer as “cagadas” (com perdão da expressão). Tem coisa melhor que sofrer as conseqüências? Sim... você leu certo! Sofrer as conseqüências sim, porque não?
Que graça teria aprender com os erros dos outros? Que graça teria não fazer certas coisas porque fulano fez e não deu certo? Eu acredito que nenhuma. Sem contar que a probabilidade de você atingir um objetivo olhando um terceiro busca-lo é nula.
Imagine que infeliz seria uma pessoa que até seus oitenta anos não enfiou o dedo na tomada porque nos seus primeiros anos de vida disseram-na que não devia? Imagine só oitenta anos de curiosidade? Imagine essa pessoa aos oitenta tendo a decepção de enfiar o dedo na tomada pensando que fosse algo mais? Pois é! Então por que você não enfia o dedo na tomada? É isso que eu faço todo santo dia (aos pervertidos, infelizmente falo no sentido literal). Antes de terminar um dilema, começo outro... Isso se o anterior não se prolongar por mais dias.
Aliás, deve ser por isso também que acordo em Curitiba e durmo em São Paulo sem saber onde vou morar no mês seguinte.
Perdi a conta das vezes que ouvi frases do tipo: “Mas de novo? Você já não tentou isso e acabou desistindo?”. Realmente quebrei a cara milhares de vezes tentando realizar alguns planos. Contudo, fico feliz (e um pouco orgulhoso, admito) em poder dizer que na maioria das vezes alcancei meus objetivos.
E o que concluo com tudo isso? Não sei! Conclusões são sempre difíceis nesse tipo de situação. Até porque se o fim de cada situação fosse previsível, escolheríamos as que nos trariam glória e não as que nos trazem experiência. Analisando e complicando ainda mais, todas as glórias se tornariam somente um resultado sem graça a partir de um esforço mínimo. O pão que dá mais trabalho pra fazer é com certeza o mais gostoso ao comer.
Resumindo tudo, sou homem o bastante pra arcar com minhas próprias conseqüências e, como me ensinaram, eu prefiro arriscar que viver na penumbra dos que não tentam e por isso não vivem! Essa é a única conclusão que chego.
:)
Texto dedicado a minha amiga Jake com quem um dia hei de dar risada junto e pessoalmente!
