Assim me definiria caso realmente tivesse o complexo de superioridade que outros me afirmam e reafirmam. Mas, por quê me vêem superior? Por quê não me assinam somente como uma boca difusa?
Já que me apresento como superior, poderia fingir que nunca vi o absoluto e que nunca entendi minhas atitudes, defendendo, assim como Adão, que meus pecados originais caíram sobre mim através da desobediência do outro: não sabia o que estava fazendo, só confiei no outro. E eis que vejo o pecado! Não por culpa minha, repito: confiei no outro.
Já que me apresento como superior, poderia não só me comparar a Adão, mas também a Jesus ou a qualquer outro herói popular com toda sua coragem para pensar que não preciso ser salvo, posto que acredito na infalibilidade de meus atos já que não me abalo com as tentações e males do mundo dos normais – ao qual não pertenço sendo superior.
No entanto, não me sinto superior. Se eu fosse um herói, seria aquele que traz a bagunça de todos e não a resolução do problema de cada um – diferente de Jesus e talvez semelhante a Sócrates, mas não sei se morreria pela vida justa. Se me mostro superior é porque não passo de uma boca difusa que esparrama palavras em abundância. Se pouco me explico é por achar desnecessário. Tento ser tão transparente a ponto de explicar mudamente minha intenções - mesmo calando minha essência, mas é impressionante ver que ninguém tem o todo. Prefiro então me calar, mesmo que me custe carregar a imagem de superior.
domingo, 18 de julho de 2010
domingo, 27 de junho de 2010
Vinte e Novo.
Vinte anos. Logo chego aos vinte um, vinte e dois... trinta; vivo ou morto. Se vivo, o mais desafiador será viver e não sobreviver a esses intervalos de tempo.
Para não me prolongar e fazer dessa mais uma descrição de cento e poucas linhas, venho publicamente pedir desculpas. Sim, desculpas. Peço desculpas a todas as pessoas que não amei como devia, a algumas que devia ter amado mais, às que devia ter amado menos e a muitas a quem eu deveria ter contado sobre o amor que tive por elas nas oportunidades que tive, havendo reciprocidade ou não.
Peço desculpas também às pessoas que magoei pouco, às que magoei muito, às que eu deveria ter magoado e não o fiz e àquelas que não se magoaram por não saber o quanto eu as usei - sem dó.
Ao iniciar mais uma década – ainda de vida – pretendo ser menos auto-suficiente, me tornar menos escravo de minhas próprias forças, temer menos minhas próprias emoções e, agora sem pensar uma vez sequer, falar sobre o que meu corpo quiser. Ultimamente tenho deixado mais pessoas se aproximarem e ainda as tenho deixado criar links entre elas. O mais legal é que tenho aprendido com todas: as que surtam no curto tempo que passam comigo, as que se moldam a mim, as que passam a me odiar quando me conhecem de verdade e, principalmente, com aquelas que se expiram e fazem de mim um melhor entendedor do ser humano. Obrigado e me desculpem.
“We're so helpless… We're slaves to our own forces and afraid of our emotions…”
Leslie Feist
Para não me prolongar e fazer dessa mais uma descrição de cento e poucas linhas, venho publicamente pedir desculpas. Sim, desculpas. Peço desculpas a todas as pessoas que não amei como devia, a algumas que devia ter amado mais, às que devia ter amado menos e a muitas a quem eu deveria ter contado sobre o amor que tive por elas nas oportunidades que tive, havendo reciprocidade ou não.
Peço desculpas também às pessoas que magoei pouco, às que magoei muito, às que eu deveria ter magoado e não o fiz e àquelas que não se magoaram por não saber o quanto eu as usei - sem dó.
Ao iniciar mais uma década – ainda de vida – pretendo ser menos auto-suficiente, me tornar menos escravo de minhas próprias forças, temer menos minhas próprias emoções e, agora sem pensar uma vez sequer, falar sobre o que meu corpo quiser. Ultimamente tenho deixado mais pessoas se aproximarem e ainda as tenho deixado criar links entre elas. O mais legal é que tenho aprendido com todas: as que surtam no curto tempo que passam comigo, as que se moldam a mim, as que passam a me odiar quando me conhecem de verdade e, principalmente, com aquelas que se expiram e fazem de mim um melhor entendedor do ser humano. Obrigado e me desculpem.
“We're so helpless… We're slaves to our own forces and afraid of our emotions…”
Leslie Feist
sábado, 3 de abril de 2010
A inútil necessidade da descrição.
O texto abaixo foi minha auto descrição no Orkut por dois anos. Ao completar 20, trocarei pelo proximo texto a ser publicado aqui. =)
Dos dez milhões de apertos que determinaram a vida útil de meu último teclado, acredito que 30% tenha sido gasto digitando pensamentos, vezes ignorados e vezes lidos. Quando lidos, vezes compreendidos e vezes destratados.
Então, relutante, me pergunto: pra quê descrever-me quando a única coisa que importa a quem visita é um álbum com uma dúzia de fotos mexidas no Photoshop que me faça parecer bonito? Então achei a resposta. Se um perfil é aprovado no primeiro exame, o photoshopal, provavelmente este será o segundo exame, o teste de capacidade cognitiva sobre desenvolvimento de diálogos.
Primeiro, o (a) visitante precisa ver fotos interessantes (imprescindível), fotos que mostrem um ser de músculos branquiais e pectoralis major bastante avantajados (vulgo bombado quando homem) ou um ser basicamente composto de tecido conectivo, adiposo e glândulas mamárias (vulgo peituda quando mulher).
Físico aprovado, começa-se a busca por uma descrição também interessante, para depois procurar em algum canto do perfil um endereço de e-mail com a intenção de “add no msn”. Claro que comumente haver-se-ão suas exceções, mas em suma essa é a regra.
Dados os dados, eu me pergunto: Cadê a amizade? Cadê o interesse puro? Ambos perdidos no século que nasci e que não volta mais? (essa foi pra rir e descontrair)
Os indivíduos à direita de sua tela, apresentados no campo amigos dele, que costumam ler meus textos sabem que costumo escrever o que muitos consideram verdades em minhas descrições, tais como as supracitadas, usando acontecimentos em comum a todos e ao final, nada concluo. Conclusões (quando não pessoais) limitam hipóteses, extremamente necessárias para a fertilidade no desenvolvimento de idéias. Aquele que se limita não se desenvolve. Portanto, toda e qualquer idéia aqui deve ser mantida como hipótese.
Eu poderia seguir a idéia acima e desenvolver todo um pensamento, mas preciso terminar meu raciocínio quando da necessidade inútil de uma descrição.
Como estava dizendo, atributos físicos e idéias interessantes criam o interesse da maioria sobre outrem. No entanto, o que acontece com as exceções? Afinal, o que faz um ser humano interessar-se por uma descrição tão longa que nada diz sobre o perfil da pessoa em questão, neste caso, eu? Sim meu bom e caro leitor, você provavelmente é uma exceção. Eu provavelmente não passei no seu teste photoshopal... não sou bombado, nem peituda e mesmo assim você prosseguiu a leitura nesse texto tanto quanto longo.
Isso me faz levantar a hipótese de que essas exceções são chegadas em nada mais, nada menos que idéias. Sim, idéias. Eu sei que não tenho uma descrição formal, uma auto visão. Senão eu preencheria este campo com: “Eu sou um cara...”, copiaria um texto do Mr. Chaplin, poria um trecho de música preferido e depois meu msn... Mas não sinto que isso seja pra mim. Essa é a principal razão de gastar três décimos da vida útil de meu teclado descrevendo minhas idéias. Minhas idéias me formam e não uma auto descrição barata. As pessoas, em si, mudam. As idéias, em si, possuem a mesma essência. Uma possível hipótese, provavelmente?
Dos dez milhões de apertos que determinaram a vida útil de meu último teclado, acredito que 30% tenha sido gasto digitando pensamentos, vezes ignorados e vezes lidos. Quando lidos, vezes compreendidos e vezes destratados.
Então, relutante, me pergunto: pra quê descrever-me quando a única coisa que importa a quem visita é um álbum com uma dúzia de fotos mexidas no Photoshop que me faça parecer bonito? Então achei a resposta. Se um perfil é aprovado no primeiro exame, o photoshopal, provavelmente este será o segundo exame, o teste de capacidade cognitiva sobre desenvolvimento de diálogos.
Primeiro, o (a) visitante precisa ver fotos interessantes (imprescindível), fotos que mostrem um ser de músculos branquiais e pectoralis major bastante avantajados (vulgo bombado quando homem) ou um ser basicamente composto de tecido conectivo, adiposo e glândulas mamárias (vulgo peituda quando mulher).
Físico aprovado, começa-se a busca por uma descrição também interessante, para depois procurar em algum canto do perfil um endereço de e-mail com a intenção de “add no msn”. Claro que comumente haver-se-ão suas exceções, mas em suma essa é a regra.
Dados os dados, eu me pergunto: Cadê a amizade? Cadê o interesse puro? Ambos perdidos no século que nasci e que não volta mais? (essa foi pra rir e descontrair)
Os indivíduos à direita de sua tela, apresentados no campo amigos dele, que costumam ler meus textos sabem que costumo escrever o que muitos consideram verdades em minhas descrições, tais como as supracitadas, usando acontecimentos em comum a todos e ao final, nada concluo. Conclusões (quando não pessoais) limitam hipóteses, extremamente necessárias para a fertilidade no desenvolvimento de idéias. Aquele que se limita não se desenvolve. Portanto, toda e qualquer idéia aqui deve ser mantida como hipótese.
Eu poderia seguir a idéia acima e desenvolver todo um pensamento, mas preciso terminar meu raciocínio quando da necessidade inútil de uma descrição.
Como estava dizendo, atributos físicos e idéias interessantes criam o interesse da maioria sobre outrem. No entanto, o que acontece com as exceções? Afinal, o que faz um ser humano interessar-se por uma descrição tão longa que nada diz sobre o perfil da pessoa em questão, neste caso, eu? Sim meu bom e caro leitor, você provavelmente é uma exceção. Eu provavelmente não passei no seu teste photoshopal... não sou bombado, nem peituda e mesmo assim você prosseguiu a leitura nesse texto tanto quanto longo.
Isso me faz levantar a hipótese de que essas exceções são chegadas em nada mais, nada menos que idéias. Sim, idéias. Eu sei que não tenho uma descrição formal, uma auto visão. Senão eu preencheria este campo com: “Eu sou um cara...”, copiaria um texto do Mr. Chaplin, poria um trecho de música preferido e depois meu msn... Mas não sinto que isso seja pra mim. Essa é a principal razão de gastar três décimos da vida útil de meu teclado descrevendo minhas idéias. Minhas idéias me formam e não uma auto descrição barata. As pessoas, em si, mudam. As idéias, em si, possuem a mesma essência. Uma possível hipótese, provavelmente?
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