Assim me definiria caso realmente tivesse o complexo de superioridade que outros me afirmam e reafirmam. Mas, por quê me vêem superior? Por quê não me assinam somente como uma boca difusa?
Já que me apresento como superior, poderia fingir que nunca vi o absoluto e que nunca entendi minhas atitudes, defendendo, assim como Adão, que meus pecados originais caíram sobre mim através da desobediência do outro: não sabia o que estava fazendo, só confiei no outro. E eis que vejo o pecado! Não por culpa minha, repito: confiei no outro.
Já que me apresento como superior, poderia não só me comparar a Adão, mas também a Jesus ou a qualquer outro herói popular com toda sua coragem para pensar que não preciso ser salvo, posto que acredito na infalibilidade de meus atos já que não me abalo com as tentações e males do mundo dos normais – ao qual não pertenço sendo superior.
No entanto, não me sinto superior. Se eu fosse um herói, seria aquele que traz a bagunça de todos e não a resolução do problema de cada um – diferente de Jesus e talvez semelhante a Sócrates, mas não sei se morreria pela vida justa. Se me mostro superior é porque não passo de uma boca difusa que esparrama palavras em abundância. Se pouco me explico é por achar desnecessário. Tento ser tão transparente a ponto de explicar mudamente minha intenções - mesmo calando minha essência, mas é impressionante ver que ninguém tem o todo. Prefiro então me calar, mesmo que me custe carregar a imagem de superior.
domingo, 18 de julho de 2010
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