sábado, 3 de abril de 2010

A inútil necessidade da descrição.

O texto abaixo foi minha auto descrição no Orkut por dois anos. Ao completar 20, trocarei pelo proximo texto a ser publicado aqui. =)

Dos dez milhões de apertos que determinaram a vida útil de meu último teclado, acredito que 30% tenha sido gasto digitando pensamentos, vezes ignorados e vezes lidos. Quando lidos, vezes compreendidos e vezes destratados.

Então, relutante, me pergunto: pra quê descrever-me quando a única coisa que importa a quem visita é um álbum com uma dúzia de fotos mexidas no Photoshop que me faça parecer bonito? Então achei a resposta. Se um perfil é aprovado no primeiro exame, o photoshopal, provavelmente este será o segundo exame, o teste de capacidade cognitiva sobre desenvolvimento de diálogos.

Primeiro, o (a) visitante precisa ver fotos interessantes (imprescindível), fotos que mostrem um ser de músculos branquiais e pectoralis major bastante avantajados (vulgo bombado quando homem) ou um ser basicamente composto de tecido conectivo, adiposo e glândulas mamárias (vulgo peituda quando mulher).

Físico aprovado, começa-se a busca por uma descrição também interessante, para depois procurar em algum canto do perfil um endereço de e-mail com a intenção de “add no msn”. Claro que comumente haver-se-ão suas exceções, mas em suma essa é a regra.

Dados os dados, eu me pergunto: Cadê a amizade? Cadê o interesse puro? Ambos perdidos no século que nasci e que não volta mais? (essa foi pra rir e descontrair)

Os indivíduos à direita de sua tela, apresentados no campo amigos dele, que costumam ler meus textos sabem que costumo escrever o que muitos consideram verdades em minhas descrições, tais como as supracitadas, usando acontecimentos em comum a todos e ao final, nada concluo. Conclusões (quando não pessoais) limitam hipóteses, extremamente necessárias para a fertilidade no desenvolvimento de idéias. Aquele que se limita não se desenvolve. Portanto, toda e qualquer idéia aqui deve ser mantida como hipótese.

Eu poderia seguir a idéia acima e desenvolver todo um pensamento, mas preciso terminar meu raciocínio quando da necessidade inútil de uma descrição.

Como estava dizendo, atributos físicos e idéias interessantes criam o interesse da maioria sobre outrem. No entanto, o que acontece com as exceções? Afinal, o que faz um ser humano interessar-se por uma descrição tão longa que nada diz sobre o perfil da pessoa em questão, neste caso, eu? Sim meu bom e caro leitor, você provavelmente é uma exceção. Eu provavelmente não passei no seu teste photoshopal... não sou bombado, nem peituda e mesmo assim você prosseguiu a leitura nesse texto tanto quanto longo.

Isso me faz levantar a hipótese de que essas exceções são chegadas em nada mais, nada menos que idéias. Sim, idéias. Eu sei que não tenho uma descrição formal, uma auto visão. Senão eu preencheria este campo com: “Eu sou um cara...”, copiaria um texto do Mr. Chaplin, poria um trecho de música preferido e depois meu msn... Mas não sinto que isso seja pra mim. Essa é a principal razão de gastar três décimos da vida útil de meu teclado descrevendo minhas idéias. Minhas idéias me formam e não uma auto descrição barata. As pessoas, em si, mudam. As idéias, em si, possuem a mesma essência. Uma possível hipótese, provavelmente?

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